quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Deputados desperdiçam chance de votar a favor da educação
Carta aberta:
deputados desperdiçam chance de votar a favor da educação
A decisão da Câmara dos Deputados de não aprovar a destinação de 100%
dos royalties do petróleo para a educação pública brasileira terá um impacto negativo
no desenvolvimento desta área social. Os parlamentares perderam uma grande
oportunidade de vincular à educação mais uma fonte de financiamento diante das
demandas históricas. É preciso alfabetizar as quase 13 milhões de pessoas, com
mais de 15 anos. É preciso cumprir a Emenda Constitucional 59/ 2009 que
determina a obrigatoriedade do ensino dos 4 aos 17 anos. Hoje, nessa faixa
etária, há 3,5 milhões de crianças e adolescentes fora da escola. É preciso
atender à demanda manifesta às creches públicas. É preciso cumprir a Lei do
Piso Salarial Nacional para os Profissionais do Magistério Público. É preciso
valorizar a ca rreira dos profissionais da educação e oferecer formação
continuada. É preciso cumprir as demais Metas e as Estratégias previstas no Plano
Nacional de Educação e nos planos estaduais e municipais de educação.
A derrota do governo federal foi confirmada depois que os deputados
votaram pelo não acolhimento do Substitutivo do relator, deputado Carlos
Zarattini (PT/ SP), que previa os 100% para a educação. O placar apertado desta
votação (220 a 211) mostra que o plenário ficou dividido no tema. Assim, o
Projeto de Lei aprovado é, na íntegra, o que saiu do Senado, sem aporte
financeiro para a educação.
O que os deputados ignoraram é que este texto pode se transformar em um
problema futuro. Segundo o relator, “ele não fecha em alguns pontos e não se
sustenta, com equívocos de redação ou matemática”. Isso pode ser comprovado com
a simples soma dos percentuais aprovados para os municípios e os estados. Feita
a conta matemática, os índices previstos para vigorar a partir de 2019 somam
101% no caso dos contratos de concessão para o petróleo extraído da plataforma
continental (mar), seja da camada pré-sal ou não. É nítido que a redação terá
de ser refeita, para a retirada de 1%. Mas fica pergunta: o valor será retirado
de quem?
Resta agora à Undime e às outras instituições ligadas à educação
pressionar a presidenta Dilma Rousseff para não sancionar o texto aprovado. O
veto faz-se necessário. Queremos que a Meta 20 do Plano Nacional de Educação,
que prevê investimento de 10% do PIB no setor, seja possível. O governo federal agora terá de buscar novas fontes para este
investimento, essencial para atender aos desafios existe ntes na educação
pública brasileira que envolvem acesso, permanência com aprendizagem e
qualidade.
Para saber quais são os deputados que votaram a favor dos 100% dos
royalties para a educação, clique aqui. Quem votou “não”, votou a favor do
Substitutivo do deputado Carlos Zarattini e a favor da educação.
Autor: Undime
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